Tramp Steamer
168 páginas. Formato 14,2×21cm
Capa mole com badanas
Colecção Europavizinha
ISBN 972-559-015-5

PVP € 4,20 (IVA 5% incluído)

Europavizinha é uma colecção para compreender a europa. Nem mais nem menos. Aquilo que povoa o detrás do viver vitrificado de alumínio e plexyglass. A europa dos europeus antes de europeizados. A vida europeia de quem pressiona o botão dos mísseis, passa férias ao sol um mês por ano e fala uma língua oficial. A ver se não se esquece do gosto a erva que o leite tem nas tetas das vacas. A ver se se recorda do tempo que o viver exige. E do espaço que há.

 

TRAMP STEAMER
Mariano de Angelis
Tradução e Posfácio de A. Bento Vintém

Este texto não é para ler de corrida. O que nele tem importância não é aquilo que sucede ao fim. A estória deste texto está no texto mesmo. Na passagem, na desconstrução do gramático discurso. O leitor não é consumidor de tal modo fica detido como actor. Ou chateado se tem pressa.
Não há nele nada de pretensamente inovador: é novo porque reescrito à medida da leitura. Não será uma aventura, antes uma incursão no sótão onde arrumamos as coisas para ir picar o ponto.
Geograficamente inscrito na história do post-guerra de uma Itália derrotada várias vezes, no ansioso do para lá do mar e no ponto de referência das ideologias feitas de economias especulações e hábitos, está no tempo da nossa pré-história. Diálogo obrigatório de solidão solidária. Tramp steamer, barca vagueante e sem rumo nos muitos rumos ocasionais.

Tem uma curiosa pequena história sua.
Escrito em italiano está neste momento a viver a sua primeira edição. Em português. Traduzido antes de publicado.
Julgado sem préstimo como mercadoria na indústria cultural do seu país linguístico houve de o publicar num mercado historicamente menos avançado (?). Não é a primeira vez. Aconteceu com Miller. E Anaïs Nin. E Lawrence e outros. Quando a moral das ideias policiava a cultura.
Voltou a suceder, sucederá ainda, quando a moral do produto policia a liberdade.
O livro aí fica. Cada um que faça dele o que muito bem quiser. Tramp Steamer ou navio de longo curso.

 

Mariano
Mariano de Angelis

O sul tem um tempo diferente. “Andei nove anos naquele barco”, ouço dizer num bar da praia da Altura. “Ardeu à entrada de Olhão, mais de setenta e cinco mil contos”. E fica-se sem saber quem os perdeu ou ganhou. O bagaço avia-se de uma assentada goelas abaixo e depois parte a motorizada para outros lados. Não é preciso dizer até logo. Está-se sempre em casa.

Mariano de Angelis é napolitano. Do sul. do Meridião. Do Mediterrâneo. E aqui entra-me no filme a expressão terrivelmente humana de Adele Faccio, a Faccio, que não conheceu o Mariano suponho, mas me conheceu a mim, antifascista emigrado, retornado da liberdade num país como a Itália onde a liberdade não se sabe bem se se apaga ou escolhe estradas diferentes.

Mariano, o sul. Adele – “La Faccio”, como ouço sempre dizer no grande salão renascentista que é Milão, — a anarquia ou a liberdade como a entendi sempre. (...)

(do Postfácio)