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PORQUÊ A MIM? "É preciso ir até ao fim desta confissão. Dizer tudo. De que me servem as meias-verdades? Já ultrapassei os limites do pudor e da decência. Os que me vão ler – e eu quero que
me leiam! – têm de saber. |
Que me julguem como quiserem. Estou condenada não pelo seu veredicto mas pelo acaso, que fez com que fosse minada por esta coisa que não vejo, que durante muito tempo não senti mas que está a fazer o seu trabalho dentro de mim. Que digam, se quiserem, que acaso é uma palavra cómoda. Que eu infringi todas as regras, desde a adolescência. Que pago pelo meu cinismo e pela minha avidez e que Deus se vingou de mim. Que se tranquilizem assim, se quiserem. Eu também pensei nisso quando soube que era uma das escolhidas. Disse para mim mesma: "Tens apenas aquilo que mereces". Pensava que o mundo possuía um sentido, que a moral estava escrita no Céu e que não podíamos transgredi-la sem riscos. Até rezei. Mas depois a revolta foi mais
forte. Porquê a mim?" |
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