ENTRE
CARDOS
E ESPINHOS
AO ANOITECER A. de Alémmontes
304 páginas.
Formato 15×24,5cm
Capa mole com badanas
Colecção Europavizinha
ISBN 972-559-245-X
PVP € 6,30 (IVA 5% incluído)
..."Ricardo pousou bruscamente o auscultador,
desligando o telefone. Compreendera tudo. Triste e desiludido, deu
conhecimento ao pai das informações tão esclarecedoras de Ernesto e
quedou-se uns minutos com ele, debruçado no parapeito da janela a observar o
jardineiro na tarefa de aparar os cardos e espinheiros que se entrecruzavam
na sebe ressequida, lançando-os a seguir em viva fogueira que pintava de
tons vermelhos e alaranjados as sombras do fim de tarde que descia.
Os arbustos, o fogo e a noite que se
aproximava calavam intimamente com as suas pungentes recordações e os seus
sentimentos de apreensão quanto à realidade que os envolvia. Na verdade,
pensava, o mundo de intolerância, de ódio e de espírito de vingança que se
vivia, de que Saogal constituía apenas um minúsculo exemplo, estava a
encaminhar-se para extenso e doloroso holocausto, para uma escuridão
atribulada e pavorosa que tudo e todos afectaria. E a sangrenta guerra civil
que grassava no país vizinho constituía já, sem duvida, o seu primeiro e
crudelíssimo testemunho"...
A. de Alémmontes, o autor, que escreve sob pseudónimo, não é de
modo algum um desconhecido dos domínios da literatura, a ele se devendo já
duas dezenas de estudos, ensaios, livros, artigos e outros trabalhos publicados, alguns deles distribuídos em
livrarias, versando temas ligados à defesa e segurança, à geografia, à
história, à geopolítica, à geoestratégia, ao poder político e à estratégia e
ao ensino destas matérias.
O texto que ora publica, uma narrativa
romanceada do domínio histórico assente em factos reais, que nos reverte
para o período do “verão quente” de mil novecentos e trinta e seis em áreas
fronteiriças de Portugal e Espanha, nos meses em que a revolução espanhola
eclodiu e a guerra civil que se lhe seguiu se fortaleceu, resultou do
aproveitamento possível das disponibilidades de tempo permitidas por aqueles
trabalhos e pelos seus afazeres profissionais, constituindo uma primeira
experiência em tal domínio.
Elaborado, revisto, alterado e ainda muitas
vezes revisto e alterado durante cerca de quatro anos, o texto apresenta-se,
de facto, produto de uma fuga empenhada, persistente e ardorosa para outra
realidade.