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AO ENCONTRO
DO PASSADO Como olvidar o arreganho do Zêzere, em dias ventosos, com chuva a cântaros?! E o doce Mondeguinho, em gorgolejos, logo ao nascer?! E o Poço do Inferno, o Viveiro das Trutas, com as famosas Caldas, logo pertinho? Subindo um pouco mais, rumo à Covilhã, apresenta-se, breve, a afamada Nascente Paulo Luís Martins, que nos deixa banzados! Inflectindo a marcha, para a nossa direita, surge-nos altiva a Fraga da Cruz e o Fragão do Corvo... Decorria o Natal auspicioso de 1979. Regressava ao País, escolhendo Lisboa, para me alegrar, entornando alento nos anos tíbios e amortecidos que a velhice oferta. Apesar de tudo, a cidade bela das Sete Colinas tem o raro condão de rejuvenescer o que o Sol queimou, a neve embranqueceu e os múltiplos problemas torturaram. E se lembro, igualmente, o Castelo de S. Jorge e o Convento do Carmo, vêm logo à memória os Pais da Pátria: D. Afonso Henriques e Nuno Álvares Pereira. Também me falam alto, a Ponte Salazar, o Cristo-Rei, a Avenida da Liberdade, cujo plano genial devemos a Ribeiro Sanches; os Restauradores... Que dizer também de suas vastas praças, jardins floridos e formosas Avenidas? Das suas Universidades, Institutos e Colégios? De seus templos famosos e da longa Marginal, que vai até ao Guincho, para lá de Cascais? Iniciam este livro alguns Diários esparsos, anteriores ao ano de 1983. Segue, depois, o Diário completo do ano referido, parte do qual se ocupa de Lisboa, versando a outra parte a Vila de Manteigas. do Prefácio |
Ingressou em 33, no Seminário Menor do Fundão e tirou, na Guarda, o Curso de Filosofia e, seguidamente, o de Teologia. Dedicou-se ao Ensino tendo leccionado na área liceal, – Português, Francês, História, Geografia, Canto Coral, Inglês, Alemão, Latim e Ciências da Natureza. Frequentou em Mainz (Alemanha) aulas de Pedagogia aplicada ao Ensino. Regressou em 72, à antiga África Portuguesa, como professor, na Escola Técnica de Silva Porto, no Colégio-Seminário e em casas particulares. O 25 de Abril fê-lo virar para a África do Sul, já no final de 75, para o Liceu do Katere, no Estado do Kavango. Ali se manteve, durante anos. Os seus Diários falam de tudo. As saudades do país, amigos e família trouxeram-no de volta à Pátria amada. Leccionou Filosofia e Latim (este a nível universitário). Agora, em Portugal, com 84 anos, recorda, amiúde, aquele provérbio árabe: “Para ser homem são precisas 3 coisas: – escrever um livro; plantar uma árvore; deixar 1 filho”.
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