OS OUTROS SEGREDOS
DE
COVA DA IRIA
Iván Ceva
Deus é uma necessidade humana.
Nem todas as opiniões que põem em causa a existência do pai de Emanuel são insultos ou contra-sensos. São apenas e simplesmente liberdades da maior dádiva do Celestial, o pensamento.
Nas inquisições, como nas ditaduras, não pensamos: cumprimos.
Os romances jamais poderão ser contestados, porque nos encontramos no mundo da fantasia, da verdade mentida.
Há, porém, ainda, muitas outras coisas que Emanuel fez; e, se cada uma delas fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem. Ámen.
Todos o louvam quando se faz o bem. Ninguém tem coragem de o maldizer quando deixa que se faça o mal.
É um negociante! Está à espera das nossas preces para salvar as inocentes crianças, ainda não pecadoras, de todo o mal.

Estamos no ano 2417. Eis que a Virgem Maria reaparece a quatro videntes na Cova de Iria, agora capital de Portugal. Num século em que a sociedade portuguesa é ateísta, os quatro videntes procuram provar, através de diferentes lógicas e argumentos, a existência de Deus. A revelação de três segredos da Virgem Maria vem pôr à prova os esforços dos quatro videntes e, talvez mesmo, a própria fé e a existência de Deus tal e qual a concebemos do ponto de vista religioso. É essa mesma revelação que vai fazer o Homem deste século XXV meditar acerca das suas próprias origens.
... “Numa relatividade de tempo e espaço, como se o tempo e o espaço, grandezas não absolutas, dançassem em dois eixos perpendiculares, ora dando passos de dança para as coordenadas negativas como de imediato os davam para as coordenadas positivas...”
... “Eram muitas as entidades celestiais, os seres biolaser, que saíam dessa nave e que, em solo daquele planeta, atarefadamente trabalhavam numa criação importante.”...
... “Estávamos no ano 2221. Era papisa Joana II, que sucedeu a Gregório XVII. Era a segunda papisa depois de Joana I e ocupava o 270.º lugar entre todos os papas do Vaticano. Estava casada com a Beata Clementina.”...
– Reapareceu a várias pessoas, que imediatamente espalharam pelos outros a Boa Nova – esclareceria a Virgem Maria. – Finalmente, reapareceu aos Doze, estando eles reunidos, e que lhe lançaram em rosto a sua incredulidade e dureza de coração, descrentes que estavam dos que o tinham visto já reaparecido.
– Como se as pessoas, incluindo os apóstolos, não tivessem o direito de duvidar... – ironiza Lídia. – Como se eles não tivessem a liberdade de pôr em causa uma ressurreição que, afinal, não passara de um reaparecimento que nada tivera a ver com o sobrenatural e a obra de um qualquer «espírito santo».
– Afinal Emanuel não chegara a morrer na cruz – conclui Jemima.